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“Amarás o Senhor teu Deus de todo o seu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!” (Mt 22, 37)

Planaltina, 30 de outubro de 2017

XXX Domingo do tempo comum/A

Leituras: Ex 22, 20-26/ Sl 17 (18)/ Its 1, 5c-10

Evangelho: Jo 14, 23

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o seu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!” (Mt 22, 37)

Partindo da liturgia de hoje compreendemos como a misericórdia de Deus está direcionada de modo privilegiado aos mais pequeninos deste mundo: os pobres, os órfãos, os estrangeiros e as viúvas… Se estes clamarem pelo Senhor Ele os escutará porque é misericórdia (cf. Ex 22, 26). Deus ama a todos, mas seu coração está muito atento ao clamor dos pequenos. E esta sua forma de amar estabelece também a forma como devemos amar os outros.

Já que o amor ao próximo está enraizado no maior dos mandamentos: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!”. Quem ama a Deus está também atento ao clamor e às necessidades dos pequenos deste mundo.

O mandamento nos pede que amemos a Deus com três faculdades muito importantes: com o coração, com a alma e com o nosso entendimento. Pois o verdadeiro amor compromete o homem todo, por inteiro.

Amar a Deus com o coração significa direcionar a Ele todos os nossos afetos. O amor a Deus requer do homem uma paixão devotada, capaz de entregar-se à pessoa amada. Sem esta entrega de si mesmo não há verdadeiro amor. Mas apenas um discurso sobre o amor. Quando a adesão a Deus não compromete o coração, não passa de um belo discurso vazio sobre o amor.

Amar a Deus com toda a alma, exige de nós uma espiritualidade ativa. Amar o Senhor com a alma significa que este amor precisa ser cultivado, alimentado pelo exercício constante das coisas espirituais: a oração, a adoração, o louvor, a ação de graças, o recolhimento o silêncio orante. É o homem por inteiro que precisa estar voltado para o Senhor, de corpo, alma e coração. Não há verdadeiro amor a Deus sem um empenhado cultivo da vida espiritual, sem o devido cuidado das coisas da alma, para que ela esteja bem disposta para o Senhor, que é o seu grande hóspede.

O amor a Deus passa também pelo nosso entendimento, pois a adesão a Ele não é um movimento cego da nossa vontade. Crer, amar e servir a Deus é razoável, e condizente com a nossa razão. Ao contrário do que pensa o mundo contemporâneo. Deus não é estranho à nossa razão, pois foi Ele quem a criou. Crer em Deus é, pois, uma questão de inteligência. Não crer Nele é uma imbecilidade que torna a existência ilógica e vazia de qualquer sentido.

Embora nosso entendimento não possa jamais esgotar o mistério de Deus, não estamos impedidos ou incapacitados para acolher e buscar compreender aquilo que Ele gratuitamente nos revelou, sobretudo em Seu Filho Jesus Cristo. A este respeito Santo Agostinho faz a seguinte afirmação: “Se eu compreendesse não seria Deus”.

Deus nós compreendemos melhor amando-O, este amor se torna completo quando se estende ao próximo. E o meu próximo é meu amigo, quanto o meu inimigo, o fiel e o infiel, o santo como o pecador, o pobre e o rico, o simpático e o antipático, o conveniente como o inconveniente… Porque o nosso amor ao próximo é um reflexo do amor de Deus, e o amor de Dele não faz acepção de pessoas (cf. At 10, 34-35).

Por fim, a liturgia de hoje é um convite para passarmos do discurso sobre o amor a Deus e ao próximo, para a realidade. Porque o amor só se torna concreto e real quando modela a forma da nossa vida, dos nossos afetos (o coração), das nossas ideias (o nosso entendimento), das nossas aspirações mais profundas (a alma) e das nossas ações em relação a Deus e ao próximo. O verdadeiro amor não se traduz em palavras ou discursos, mas em atitudes. Não ama a Deus quem lhe é indiferente, quem sustenta uma vida sem piedade, sem fé, sem forma. Não ama ao próximo quem não tem sensibilidade suficiente para deixar-se sensibilizar e mover-se pelas dores e sofrimentos dos pequenos, quem não se move de compaixão pelas dores do mundo e dos homens e mulheres do seu tempo.

Pe. Hélio Cordeiro

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