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Esperava que ela produzisse uvas boas, mas produziu uvas selvagens” (Is 5, 2)

Planaltina, 08 de outubro de 2017

XXVII Domingo do tempo comum/A

Leituras: Is 5, 1-7/ Sl 79 (80) / Fl 4, 6-9

Evangelho: Jo 15, 16

 

“Esperava que ela produzisse uvas boas, mas produziu uvas selvagens” (Is 5, 2)

    Deus ao nos chamar à vida, de antemão, estabeleceu para nós um propósito de vida, de salvação e de comunhão. Por isso, não é fora de propósito nos perguntar: “O que Deus espera de mim?”. Temos muito presente o que esperamos dos outros, o que esperamos de Deus, da Igreja, da escola, dos governantes, da sociedade. Porém, é preciso também se perguntar o que Deus, a Igreja, os outros, a sociedade espera de nós.

Não confrontar-se com esta pergunta é uma forma de fugir das responsabilidades religiosas, familiares, sociais e políticas que temos. Para nos ajudar a empenhar-se em produzir os frutos que Deus espera de nós, a liturgia de hoje nos propõe a figura da vinha fértil que foi bem cuidada pelo agricultor, ele “Cercou-a, limpou-a de pedras, plantou videiras escolhidas, edificou uma torre no meio e construiu um lagar; esperava que ela produzisse uvas boas, mas produziu uvas selvagens” (Is 5, 2).

Nós somos esta vinha fértil do Senhor, foi Ele quem nos plantou neste mundo, e nos fez membros da sua Igreja, nos rega com a sua graça, nos cerca com seu carinho e proteção, nos alimenta com a Eucaristia e com sua palavra. Ou seja, nos oferece tudo o que precisamos para dar bons frutos, “frutos de justiça e bondade”. Deus não espera de nós menos do que isto.

Um dia o Senhor virá para colher os frutos desta vinha, e nela espera encontrar bons frutos, “quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos” (Mt 21, 34). Deus espera, pois, receber de nós, no fim dos tempos, de forma mais abundante, os bens, os dons, os carismas com os quais Ele mesmo nos cumulou ao nos chamar a esta vida.

A imagem da colheita nos remete à experiência do juízo, do ser submetido ao fogo do amor de Jesus Cristo, que transforma todo bem, toda justiça praticadas nesta vida em bens eternos. Mas que devora e transforma em cinza todo pecado como se fosse uvas selvagens e inúteis, como se fossem palhas.

Para a colheita o proprietário enviou primeiro, por duas vezes, os seus empregados, que foram todos mortos pelos vinhateiros aos quais havia confiado a sua vinha. E “Finalmente, o proprietário enviou-lhes o seu filho, pensando: ‘Ao meu filho eles vão respeitar’” (Mt 21, 37). O que não aconteceu, porque os vinhateiros mataram também o filho a fim de ficarem com a sua herança (cf. Mt 21, 38).

Os vinhateiros enviados por primeiro, são imagens dos profetas que anunciaram o amor, a misericórdia de Deus e denunciaram os pecados, a um povo rebelde e de coração duro. Que embora, depositário da promessa matou muitos dos profetas que lhes foram enviados para o seu bem. Pois o papel do profeta é reconduzir o homem para Deus, chama-lo ao arrependimento e à conversão.

Por último mataram também o Filho – Jesus Cristo – para ficarem com a sua herança. Assim, se cumpre a profecia “É necessário que o Filho do Homem sofra muito, seja rejeitado pelos anciãos, chefes dos sacerdotes e escribas, seja morto e ressuscite ao terceiro dia” (Lc 9, 22).

E por sua morte fomos feitos partícipes da Sua herança, desde que, nesta vida, produzamos frutos de justiça e de bondade. E abandonemos as uvas selvagens da injustiça, da impiedade e iniquidade. Desde que, nesta vida, nos ocupemos com tudo aquilo que “é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor” (Fl 4, 8). Pois somente participará do reino aquele que produzirá frutos: “O Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos” (Mt 21, 42.

Não podemos nos contentar sem sermos cristãos da via negativa, daqueles que pensam que sua fidelidade a Jesus Cristo vai tudo bem, porque nunca mentiu, nunca roubou, nunca matou, nunca adulterou… O cristão que pretende ser fiel ao Evangelho procura estar sempre mais ciente do que ele deve fazer para ganhar o reino do que daquilo que ele não pode fazer. Como o jovem rico que pergunta a Jesus: “Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?” (Mt 19, 16).

Não basta à videira não produzir uvas selvagens, é preciso que ela produza frutos bons. Senão o vinhateiro a corta e lança ao fogo. Ninguém em sã estado de consciência manterá em sua vinha, uma parreira que, apesar de não produzir frutos selvagens e ruins, também não produza nada. De modo semelhante, chega de cristãos que não fazem nada de ruim, mas que também não são capazes de realizar nada de bom. Isto não suficiente, para entrar no reino é preciso produzir frutos.
Pe. Hélio Cordeiro

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