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A via de Deus é atrair os homens a si pela bondade e pelo amor

Planaltina, 25 de setembro de 2017

XXV Domingo do tempo comum/A

Leituras: Is 55, 6-9/ Sl 144 (145)/ Fl 1, 20c-24.27ª/

Evangelho: Mt 20, 1-16a

A via de Deus é atrair os homens a si pela bondade e pelo amor

A parábola do Evangelho de hoje nos revela, através da figura do patrão, como é incansável a busca de Deus por operários que possam trabalhar na sua vinha, e assim possam no fim do dia receber uma recompensa na medida da sua bondade. Movido pelo infinito desejo de partilhar dos seus bens eternos com todos os homens, o patrão, imagem de Deus, sai na madrugada, às nove da manhã, ao meio dia, às três e às cinco da tarde, à procura de trabalhadores para a sua vinha.

Todos os trabalhadores que foram contratados pelo patrão tinham algo em comum, estavam todos desocupados. À exemplo de todos os destinatários da bondade de Deus, somos todos pecadores. Mas nos abrimos à ação da sua graça, acolhemos o seu convite amoroso em momentos distintos da vida.

Quantos entre nós servem a Deus desde o raiar dos primeiros dias da sua vida. Outros que aderiram a ele na juventude, outros na idade adulta, outros ainda na velhice. Alguns outros, dias ou horas antes da morte. Nem por isso, a bondade de Deus para com cada um não é distinta. Porque os dons de Deus, derramados em nossa vida, não dependem dos nossos méritos, mas da sua bondade intrínseca, porque Ele é bom.

Aliás, esta é a interrogação que Jesus coloca diante dos operários que foram contratados durante a madrugada, e se sentiram injustiçados ao verem os que foram contratados às cinco receber a mesma paga de uma moeda de prata. E por isso o questionam: “Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualastes a nós, que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro” (Mt 20, 12). Os operários que murmuraram contra o patrão tinham razão num ponto, a bondade de Deus nos iguala, nos torna iguais entre si. Deus nos dá aquilo que promete, a sua salvação. Deus é justo porque cumpre as suas promessas.

Diante da murmuração dos operários o patrão devolve um questionamento: “Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?” (Mt 20, 15). A bondade de Deus contrasta-se com a mesquinha e calculista mente humana, que tem a pretensão de limitar a bondade de Deus, que não tem limites.

Os caminhos do homem trilham os limites do cálculo, que condicionam a sua ação segundo a lógica da recompensa. Deus que nos recompensa na medida da sua bondade, nos ensina que precisamos servi-lo além do cálculo, que nos leva a pensar que temos que receber na proporção daquilo que fazemos. Ele quer que O sirvamos por amor, pois é por amor, por bondade, que Ele nos chama a trabalhar na sua vinha.

Para encontrarmos, pois, o caminho de Deus, é preciso abandonarmos o caminho do cálculo. Pois a nossa lógica não é a lógica de Deus, “Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são como os meus caminhos, diz o Senhor” (Is 55, 8).

O Evangelho nos revela que o caminho de Deus é a insistente busca do homem pela bondade e o amor. Ele nos procura a todo momento, a qualquer hora do dia. Temos que nos despir da falsa ideia que Deus se permite algumas maldades a fim de atrair os homens a Ele. A sua via para nos atrair é o bem e o amor. Deus não é o autor de tragédias banais para suscitar no coração do homem o medo, Ele é bom, é amor, e quer nos atrair por aquilo que Ele é. O auge desta sua busca foi o envio do Seu filho Jesus Cristo: “Quando, porém, chegou a plenitude do tempo, enviou Deus o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob a Lei, para remir os que estavam sob a Lei, a fim de que recebêssemos a adoção filial” (Gl 4, 4). Este é o prêmio para todos aqueles que acolherem o convite de Deus para ir à sua vinha.

Por fim, se por um lado a via de Deus é procurar o homem através da bondade e do amor. Por outro, a salvação do homem é a busca de Deus pela conversão, pela mudança de rota, pela mudança de mentalidade, pela mudança de caminho, pelo abandono da impiedade. A este respeito assim nos exorta o profeta Isaías: “Buscai o Senhor, enquanto pode ser achado; invocai-o, enquanto ele está perto” (Is 55, 6). A vida do homem é a busca de Deus, e buscar a Deus é a piedade. O ímpio, o ímpio, pelo contrário, é aquele que não aceita Deus, não O busca, não O invoca, que não prática as virtudes da religião, entre as quais ocupa primeiro lugar a adoração. Na vida do ímpio não há lugar para o culto de Deus, mas apenas para as reles ilusões humanas. Neste sentido podemos dizer que estamos vivendo num mundo de ímpios, já que é grande a massa dos homens e mulheres que não mais buscam e invocam o Senhor, que não mais praticam a religião.

Pe. Hélio Cordeiro

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