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O perdão funda-se na gratuidade e na misericórdia de Deus

Planaltina, 17 de setembro de 2017

XXIV Domingo do Tempo Comum/A

Leituras: Eclo 27, 33-28,9/102 (103)/ Rm 14, 7-9

Evangelho: Mt 18, 21-35

O perdão funda-se na gratuidade e na misericórdia de Deus

    Como afirmou São Maximiliano Maria Kolbe “O ódio não é força criativa, força criativa é o amor”, odiar é morrer completamente para si, para os outros e para Deus. Odiar é, pois, uma espécie de suicídio existencial. Amar também é morrer, a exemplo de Cristo que morreu na cruz por amor de nós (Cf. Jo 3, 16). Porém, não é um morrer estéril, mas fecundo, porque permite restabelecer a fraternidade com o próximo e a comunhão com Deus.

    O ódio não é força criativa, mas destrutiva. Destrói por primeiro aquele que odeia. Enquanto o amor é força criativa, porque gera vida, gera comunhão, gera reconciliação e reconstrói o quem perdoa e quem é perdoado. E para crescermos no amor precisamos do exercício contínuo do perdão. Já que continuamente precisamos ser perdoados e precisamos perdoar.

    O perdão é como que o pino que ajuda a balança do coração a pender para o amor, diante da tentação de odiar. Uma vez que as circunstâncias de que permitem amar ou odiar são as mesmas. O elemento decisivo entre o ódio e o amor não é exterior mais interior.

    A exemplo do rei do evangelho de hoje que resolveu acertar as contas com seus empregados. Diante do empregado que lhe devia uma grande fortuna, realidade exterior, ele podia seguir dois caminhos: odiá-lo ou amá-lo. Odiá-lo significaria endurecer o coração e não perdoar a sua dívida, lançando-o na prisão como pena. Mas o rei preferiu amá-lo, “O patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida” (Mt 18, 26).

    Se alguém nos trai, nos rouba, nos calunia, nos difama, nos persegue, nos agride, assassina alguém que amamos, também podemos escolher entre o ódio e o amor. E para escolher o amor é preciso passar pela difícil arte de perdoar. Capacidade que começa ser formada em nós, quando começamos reproduzir em nossa vida, nos relacionamentos com os outros, a mesma compaixão que Deus tanto tem tido para comigo. Compaixão esta que se manifesta na forma da pasciência.

    O empregado do evangelho de hoje não foi capaz de compreender esta lógica. Embora lhe tenha sido perdoado uma grande fortuna, não foi capaz de perdoar o seu companheiro que lhe devia apenas cem moedas (cf. Mt 18, 28). Este não teve a capacidade de reproduzir na vida a compaixão que recebeu da parte de Deus.

    A consequência desta sua incapacidade, para reproduzir o perdão, foi ser entregue aos torturadores. Por isso, olhando a dinâmica do evangelho de hoje, podemos compreender que precisamos exercitar o perdão não porque somos bons, ou porque quem perdoamos é bom e mereça ser perdoado, mas porque Deus é bom e “não nos trata como exigem nossas faltas” (Sl 102, 9). Porque se Ele assim o fizesse morreríamos instantaneamente.

    O perdão nos previne contra as piores doenças do coração: o ódio, a raiva, o rancor. É sempre importante lembrar que pior que viver odiando e morrer odiado. Pois ódio nos reconduz ao caminho da mais brutal solidão, que se eterniza com a morte. Assim, é muito oportuna a exortação da primeira leitura da missa de hoje: “Lembra-te do teu fim e deixa de odiar; pensa na destruição e na morte, e persevera nos mandamentos” (Eclo 27, 6).

    O perdão, na lógica evangélica, não funda-se na lógica do merecimento, mas na lógica da gratuidade, da misericórdia de Deus revelada a nós em Jesus Cristo, que pagou por nós uma dívida que não tínhamos nem temos condições de pagar.

    Um caminho privilegiado para nos formar para perdoar é do sacramento da confissão. Não há nenhum pecado que ali seja confessado com sincero arrependimento, com a devida contrição, que não encontre o devido perdão da parte de Deus. Por isso, por mais que perdoemos aqueles que nos ofenderam sempre será um perdão menor em relação àquele que recebemos de Deus cada vez que confessamos os nossos pecados.

    Por fim, penso que a crise de ódio, rancor, raiva, vingança, que assola o homem em nossos dias, se deve em grande parte ao grave afastamento da maioria dos crentes da experiência do sacramento da confissão. Pois aprendemos a perdoar sendo perdoados, isto Deus nos ensina, de modo privilegiado, no sacramento da confissão: “Vá em paz os teus pecados estão perdoados”. Que o perdão que recebemos de Deus nos ajude a pender sempre para o perdão que nos conduz ao amor, quando a ofensa que vem do próximo vier bater em nossa porta.

Pe. Hélio Cordeiro

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