Templates by BIGtheme NET
Home » Artigos » “Mas se, pelo espírito, matardes o procedimento carnal, então vivereis” (Rm 8, 13)

“Mas se, pelo espírito, matardes o procedimento carnal, então vivereis” (Rm 8, 13)

Planaltina, 09 de julho de 2017/A

XIV Domingo do Tempo Comum

Leituras: Zc 9,9-10/ Sl 144 (145)/ Rm 8,9.11-13

Evangelho: Mt 11,25-30

“Mas se, pelo espírito, matardes o procedimento carnal, então vivereis” (Rm 8, 13)

Amados irmãos e irmãs, peregrinos neste mundo, vivemos uma constante luta entre as inclinações da carne e a vida segundo o Espírito de Jesus Cristo. Assim, São Paulo nos exorta: “vós não viveis segundo a carne, mas segundo o espírito, se realmente o Espírito de Deus mora em vós” (Rm 8, 9.11-13). Aqui, entenda-se carne como a condição de fraqueza e de mortalidade do homem (cf. CCE 990).

Viver segundo a carne significa deixar-se dominar pelos pecados, prazeres, paixões e ilusões passageiras desta vida, ao ponto de obscurecer a visão tornando-a incapaz de abrir-se a horizontes eternos. É viver de tal modo entregue às satisfações mundanas que a vida no espírito fica sufocada.

As características da vida segundo a carne se resumem em mesa, cama, internet, ter, poder, prazer. A vida segundo a carne é a vida segundo o pecado. O que se traduz numa vida na qual Deus conta muito pouco ou nada. Às vezes, é lembrado apenas quando o vazio deixado pela entrega às futilidades desta vida corroem a alma lançando-a na dor e no vácuo existencial, que produz uma espécie de “noia diante de tudo”

Neste contexto Deus é buscado como uma espécie de autoajuda, um quebra-galho, que resolve problemas e necessidades emergenciais de sentimentos, de ansiedade, de medo, de prosperidade, de afetividade. Pois quem vive segundo a carne não consegue levantar o olhar para questões mais essenciais e profundas como a conversão, a salvação, a vida eterna. Encontra-se, por demais, mergulhado no contexto horizontal, que mesmo as coisas mais santas e sagradas são procuradas e instrumentalizadas para a satisfação de interesses mesquinhos.

São Paulo afirma com clareza, que o fruto da vida segundo à carne é a morte, “pois, se viverdes segundo a carne, morrereis” (Rm 8, 13). Quanto mais apegado a este mundo maior é a dor da sua perda. E passar por este mundo sem deixar-se conduzir pelo Espírito de Jesus Cristo é viver e morrer sem esperança. Sem Jesus Cristo este mundo não tem nenhum sinal de esperança. Um mundo sem Deus é um mundo patético, como patética é a vida de quem procura a felicidade apenas saciando a carne.

Porém, a vida segundo o espírito de Jesus Cristo nos abre o caminho para a vida que não passa: “mas, se, pelo espírito, matardes o procedimento carnal então vivereis” (Rm 8, 13). E vive segundo o Espírito quem cuida do corpo, mas não descuida da sua alma; quem se preocupa com os problemas do mundo, mas não se esquece que seu lugar é o junto de Deus no céu; quem se preocupa e se ocupa com a transformação social, mas se empenha na obra da sua conversão e para a realização da evangelização.

Viver segundo o Espírito de Jesus Cristo comporta assiduidade na oração, obediência à vontade de Deus, empenho sincero em viver a caridade, confiança filial no Senhor, culto de louvor, adoração e ação de graças ao Senhor, sobretudo na Eucaristia. Aliás, a Eucaristia é centro da vida dos que vivem segundo o Espírito. Ela é o alimento dos que haverão de ressuscitar, dos que haverão de viver eternamente (cf. Jo 6, 47-51).

Por isso rezamos em nossa profissão de fé “creio na ressurreição da carne”. Pois na compreensão cristã o homem é uma unidade pessoal composto de corpo e alma. E crer na ressurreição da carne “significa que, após a morte, não haverá somente a vida da alma imortal, mas que também nossos ‘corpos mortais’ (Rm 8, 11) readquirirão vida” (CCE, 990).

Por fim, não são os sábios e entendidos que compreendem estas coisas, porque seus corações são demasiados mundanos. Mas os corações dos simples, pequenos e humildes, são largamente abertos à revelação dos mistérios de Deus (cf. Mt 11, 25). Quanto mais pequeno se faz o homem, mais evidente se torna para Ele a evidência da grandeza de Deus. Quanto mais se ensoberbece o homem, dificilmente consegue reconhecer a grandeza de Deus.

Pe. Hélio Cordeiro

Deixe seu comentário:

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *

*