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A amizade cristã

Para falar de amizade entre irmãos de fé é preciso partir do seu fundamento. E o fundamento da amizade cristã é o próprio Deus, o maior de nossos amigos. Já no AT encontramos um exemplo de amizade cujos valores são úteis ainda para os dias de hoje, que é o modelo da leal amizade entre Jonatas e Davi (cf. ISm 19, 1-20, 42).

Os valores que podemos destacar na amizade de Jonatas e Davi são: a afeição sincera, a defesa da boa reputação do amigo, a capacidade de arriscar a própria vida para defender o amigo diante de uma injustiça, uma amizade vivida em Deus.

No cap. 19, 1 o texto sagrado diz assim: “Ora, Jônatas, filho de Saul, tinha muita afeição por Davi”. Ter afeição por outro é ser capaz de amá-lo. No sentido genuíno da palavra amor, segundo aquilo que nos ordena o Senhor: “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros” (Jo 13, 34).

Movido por esta afeição a Davi, amando-o como Cristo nos amou, ou seja, se sacrificando por nós, também Jonatas vai arriscar a sua própria vida diante do seu pai, o rei Saul, para defender a vida do seu amigo. Por isso, os verdadeiros amigos são aqueles que estão dispostos a fazer sacrifícios para defender o bem do outro.

Em segundo lugar Jonatas é um a amigo que defende a boa fama de Davi: “Jonatas falou bem de Davi a seu pai Saul” (ISm 19, 4). Os verdadeiros amigos conhecem as virtudes e os defeitos do outro, mas não o difama, mesmo quando este cai em ruína. O verdadeiro amigo está sempre pronto a dar um bom testemunho da fama do outro, fugindo de picuinhas, fofocas e difamações que destroem a caridade.

Os verdadeiros amigos são aqueles que permanecem próximo, sobretudo, quando o outro está passando por dificuldades. Não é presença somente nos momentos de alegria, mas também nos momentos de tristeza, de dor, de angústia, de perseguição. Como Jonatas que se coloca em total disposição a Davi para livrá-lo da perseguição de Saul: “Jonatas disse a Davi: ‘Que queres que eu faça por ti?’” (ISm 20, 4). Os verdadeiros amigos não são aqueles que nos acompanham nas festas ou que nos aprovam sempre. Mas aqueles que são também capazes de estarem do lado de nosso leito quando estamos doentes num hospital, aquele que enxuga nossas lágrimas na hora da dor, que nos corrige e nos contraria quando é preciso.

E o que é mais importante, Deus é o centro das amizades verdadeiras, assim o era entre Jonatas e Davi: “a seguir os dois se abraçaram e juntos choraram abundantemente. Jonatas disse a Davi: ‘Vai em paz. Quanto ao juramento que fizemos ambos em nome de Iahweh, que Iahweh seja testemunha entre mim e ti, entre a minha descendência e a tua” (ISm 20 41-42). Sem Deus as amizades se transformam num jogo de interesse que destrói e gera sofrimento. Mas quando Deus está no centro se torna fonte de consolo, ajuda mútua, fraternidade, amor, edificação e esperança.

Quem encontrou um amigo assim, encontrou um tesouro, como afirma o livro do Eclesiástico: “Um amigo fiel é um poderoso refúgio, quem o descobriu descobriu um tesouro” (6, 14). E o mais fiel de todos os amigos é Jesus Cristo, como podemos ver através do seu afeto pelos amigos: Marta, Maria e Lázaro: “Ora, Jesus amava Marta e sua irmã e Lázaro” (Lc 11, 5). Se queremos, pois, ter amizades sinceras, sólidas e verdadeiras, comecemos pela amizade com o Senhor, pois quem é fiel a Ele também saberá ser fiel aos seus amigos. Quem não é fiel ao à amizade com o Senhor que é fiel sempre, muito dificilmente poderá ser fiel a um amigo meramente humano, que está sempre sujeito a falhas.

Pe. Hélio Cordeiro

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