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Minha experiência em Roma como padre estudante

helioDepois de dois anos, vividos intensamente, aqui na Cidade eterna, penso que seja oportuno partilhar com os irmãos e irmãos o que significou para mim esta bela experiência de estar em Roma como padre estudante.

Foram dias a fio de aulas, seminários, convênios e, esporadicamente, serviço pastoral que me possibilitaram o contato com o melhor que há da riqueza teológica e espiritual da Igreja, num ambiente acadêmico muito fraterno como o que pude encontrar na Pontifícia Universidade da Santa Cruz. Mas penso que a mais profunda e mais bela de todas as aulas que vivenciei aqui em Roma não se desenvolveu entre as quatro paredes de uma sala de aula. Mas nos sinais, nos monumentos arqueológicos, que testemunham a profundidade da fé dos nossos antepassados, os mártires, cuja teologia estava estampada não em livros, mas na vida.

A mim particularmente me tocou profundamente a visita às catacumbas, onde pude tocar de perto como esta legião de testemunhas, de todas as idades e classes sociais diversas, viveram a sua fé. Ficará para sempre gravada em minha memória a visita às Catacumbas de Priscila, na Via sallaria, na qual se encontram o ícone de Maria, datado pelos arqueólogos como a mais antiga representação sacra da Virgem Mãe de Deus. E o belo ícone do Bom pastor, como um símbolo potente da fé em Cristo Salvador, a quem acorremos como o cervo que anseia pelas fontes.

A decoração sacra dos túmulos revela a profunda atmosfera evangélica na qual viviam estes nossos antepassados na fé. Que pensavam evangelicamente tanto a vida como a morte, com uma inquebrantável esperança na ressurreição, testemunhada mesmo em meio a mais brutal perseguição. De modo que a morte não era vivida nem celebrada com desespero, como se vê nos dias de hoje, mesmo em muitos católicos. Era ocasião de reviver na comunidade a esperança pascal e a certeza de que nossa vida está escondida em Cristo. Assim, manifestavam que o seu apego não era nem a vida nem a morte, seu único bem era Jesus Cristo.

Outra experiência singular deste tempo aqui em Roma, foi a de poder tocar o rosto universal da Igreja mediante a convivência com estudantes, padres, leigos, religiosos, vindos dos mais longínquos rincões do mundo, pertencentes às realidades eclesiais mais diversas possíveis. Desde lugares nos quais a Igreja encontra-se sob forte perseguição, continuando o caminho da Igreja dos mártires; outros vindos de situações de extrema pobreza ou de guerras e violências; alguns que veem da cansada, ambígua e paganizada Europa, que parece ter esquecido suas raízes cristãs, como sinais vivos de Cristo que continua a chamar mesmo nos ambientes mais estéreis; irmãos vindos da América (tanto do sul como do norte), de lugares nos quais a vazia e oportunista teologia da prosperidade secundada por um agressivo secularismo, ameaça e fragmenta a fé das pessoas, abrindo um largo caminho para o indiferentismo religioso. Irmãos vindos da África e da Àsia, onde o fundamentalismo islâmico, alheio a qualquer senso de humanidade, deixa rastros de sangue, escravidão e violência.

Ver como tantos irmãos e irmãs, muitos marcados por uma história de sofrimentos e lutas por sua fidelidade a Cristo, foi um confortante e provocador testemunho de fé. Do qual talvez, nós que no Brasil, ainda gozamos de certa liberdade, não estejamos a altura. Vendo muitos

destes testemunhos, aprendi o quanto ainda precisamos crescer no amor a Cristo e à sua Igreja e na fidelidade ao Evangelho.

Também muito positiva foi a experiência de partilhar a vida numa comunidade sacerdotal com padres vindos dos quatro cantos do Brasil. O que nos legou uma visão muito mais ampla do rosto da Igreja no Brasil, do que podemos ter quando estamos aí.

Por fim, aproveito para externar a minha gratidão a todos aqueles, que com sua oração e sua generosidade silenciosa e discreta, tornaram possível este tempo aqui Roma. A todos a minha gratidão. Rogo a Deus que converta em graças eternas os vossos gestos de generosidade. Que Deus abençoe a todos!

Pe. Hélio Cordeiro

Roma, 08 de julho de 2016.

Um comentário.

  1. Que esse tempo em Roma sejeja eternizado em seu coração e multiplicados seus conhecimentos através da fé . … Abraços…

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